Nessa minha coluna mensal, gosto de escrever textos otimistas, que incentivem estudantes e profissionais. Dessa vez, me darei o direito de escrever algo desanimador, certo, no entanto, que são esses pensamentos que nos fazem refletir com mais profundidade.
Essa semana, conversei por e-mail com um amigo escritor e jornalista que pendurou as chuteiras. Sua atitude não ocorreu por alguma deficiência no desempenho das funções físicas ou mentais, mas por descrença na sociedade e profissão. — “Não foi decisão fácil. Afinal, a gente acaba se habituando às coisas e a idéia de hoje não ter de me sentar diante da máquina para produzir algum texto — coisa que venho fazendo invariavelmente há quase trinta anos, soa-me um tanto absurda”. Meu amigo já trabalhou como repórter e redator em revistas no Rio de Janeiro e é autor de dois romances históricos, um livro de contos de ficção científica e um manual de redação para vestibulandos todos pela prestigiada editora Nova Fronteira.
Em minha eterna luta pela valorização da boa comunicação verbal e visual, tentei argumentar que seu trabalho era bom demais para ser aposentado. Ele respondeu — “É que infelizmente concluí que não há público para o tipo de literatura que eu sei fazer. De modo geral, as pessoas são muito ignorantes. Não dá tesão de escrever para gente assim. É como atirar pérolas a porcos” — e continuou — “Escrever dá muito trabalho. E se há algo que me irrita profundamente é trabalho inútil.”
Tenho que concordar com meu amigo e ainda acrescentar que não são apenas os escritores e jornalistas que são pouco valorizados, mas também os artistas plásticos e gráficos, profissionais que lidam com a linguagem verbal e visual. Isso porque a sociedade, de um modo geral, não reconhece em sua ignorância a diferença entre um bom e um ruim conteúdo. O empresariado, por sua vez, não tendo necessidade e visando maior lucro também não valoriza esse tipo de trabalho.
Sinto-me algumas vezes como um maragato cavalgando por um pampa deserto de oportunidades, carregando uma bandeira de ideais esfarrapados.
Apesar de todas as adversidades não penso em mudar de profissão. Primeiro porque adoro o que faço, sinto prazer no meu trabalho e, além de tudo, tenho necessidade de escrever — desenvolver pensamentos e idéias — e de me expressar visualmente. Além disso, não tenho talento para ser médico, engenheiro, biólogo, vendedor ou outra profissão.
Sigo na luta pela educação das pessoas, única forma de mudar esse cenário. Educação que começa na escola, no ensino fundamental e médio. Educação do cliente, quando vamos apresentar algum orçamento ou trabalho. É somente através da educação que a sociedade vai entender e valorizar o conteúdo verbal e visual.