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Revista Making Of - Comunicação, Propaganda, Marketing, Entretenimento, Cultura, Eventos, Vaga de Emprego e Web em Santa Catarina Geraldo Rossi
Jornalista, fotógrafo,mestre em design gráfico diretor da Garja Comunicação
contato@geraldorossi.com.br
 
Ignorância verbal e visual
27/11/2009
 

Nessa minha coluna mensal, gosto de escrever textos otimistas, que incentivem estudantes e profissionais. Dessa vez, me darei o direito de escrever algo desanimador, certo, no entanto, que são esses pensamentos que nos fazem refletir com mais profundidade.

Essa semana, conversei por e-mail com um amigo escritor e jornalista que pendurou as chuteiras. Sua atitude não ocorreu por alguma deficiência no desempenho das funções físicas ou mentais, mas por descrença na sociedade e profissão. — “Não foi decisão fácil. Afinal, a gente acaba se habituando às coisas e a idéia de hoje não ter de me sentar diante da máquina para produzir algum texto — coisa que venho fazendo invariavelmente há quase trinta anos, soa-me um tanto absurda”. Meu amigo já trabalhou como repórter e redator em revistas no Rio de Janeiro e é autor de dois romances históricos, um livro de contos de ficção científica e um manual de redação para vestibulandos todos pela prestigiada editora Nova Fronteira.

Em minha eterna luta pela valorização da boa comunicação verbal e visual, tentei argumentar que seu trabalho era bom demais para ser aposentado. Ele respondeu — “É que infelizmente concluí que não há público para o tipo de literatura que eu sei fazer. De modo geral, as pessoas são muito ignorantes. Não dá tesão de escrever para gente assim. É como atirar pérolas a porcos” — e continuou — “Escrever dá muito trabalho. E se há algo que me irrita profundamente é trabalho inútil.”

Tenho que concordar com meu amigo e ainda acrescentar que não são apenas os escritores e jornalistas que são pouco valorizados, mas também os artistas plásticos e gráficos, profissionais que lidam com a linguagem verbal e visual. Isso porque a sociedade, de um modo geral, não reconhece em sua ignorância a diferença entre um bom e um ruim conteúdo. O empresariado, por sua vez, não tendo necessidade e visando maior lucro também não valoriza esse tipo de trabalho.

Sinto-me algumas vezes como um maragato cavalgando por um pampa deserto de oportunidades, carregando uma bandeira de ideais esfarrapados.

Apesar de todas as adversidades não penso em mudar de profissão. Primeiro porque adoro o que faço, sinto prazer no meu trabalho e, além de tudo, tenho necessidade de escrever — desenvolver pensamentos e idéias — e de me expressar visualmente. Além disso, não tenho talento para ser médico, engenheiro, biólogo, vendedor ou outra profissão.

Sigo na luta pela educação das pessoas, única forma de mudar esse cenário. Educação que começa na escola, no ensino fundamental e médio. Educação do cliente, quando vamos apresentar algum orçamento ou trabalho. É somente através da educação que a sociedade vai entender e valorizar o conteúdo verbal e visual.
 

 

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COMENTÁRIOS
Adriana em 27/01/2010 comentou:
O que é mais engraçado deste texto e deste comentário é que essas "algumas pessoas" a que se referem são os prórios que fazem referência, o publico que compõe o "ignorante público" do jornalista em questão é composto por gente como o jornalista e pelo próprio. Isso tudo por que as ideologias não criam as relações humanas nem constróem seres. É justamente o contrário que acontece.
Intelectuais são tão ou mais "simples" que "algumas pessoas".
Rangel Nepomuceno em 05/01/2010 comentou:
Tenho um ponto de vista um pouco diferende, acho que por mais arduo que seja e mais ignorante que sejam "algumas pessos" ainda existem muitos que sabem apreciar boas obras, acontece que na maiona maioria da vezes alguns detentores do poder de algumas formas e meios de comunicação por possuir capacidade intelectual inferior não dissemina a informação, a sociedade no geral é um mistério fantástico que em cada processo exploratório descobrimos mitos, culturas, prazeres e formas de raciocinios que muitas vezes nos surpreendem. CASO, existem muitos autores, atores, escritores, publicitarios, jornalistas, artistas, que são fantásticos, porém que nunca encontraram seu público alvo.


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