Geraldo Rossi
Jornalista, fotógrafo,mestre em design gráfico diretor da Garja Comunicação contato@geraldorossi.com.br
Porque amamos as revistas
22/12/2009
É fácil encontrar pessoas apaixonadas por revistas que as guardam por anos, sem saber ao certo o que farão com elas. São dezenas e algumas vezes centenas de edições de um mesmo título ou de vários, guardadas em armários estantes. Ameaçadas constantemente de serem jogadas fora pelos agregados da moradia. Mas mesmo para quem não é tão apaixonado assim, jogar fora uma revista não é tão fácil como o jornal do dia anterior.
Qual a explicação para esse hábito? Na realidade, existe um conjunto de motivos conscientes e subjetivos.
Comecemos por suas características concretas, sua estrutura física. As revistas são impressas em papel de alta qualidade o que proporciona a reprodução de imagens impecáveis. Os editores sabem disso, e exploram ao máximo essa característica, apresentando fotografias em grandes formatos, belas e bem compostas. Além de esteticamente bem resolvidas, as fotos ainda trazem um assunto arrebatador que chama a atenção e permanece vivo na memória. Para completar esse aspecto físico, o papel brilhoso e de gramatura elevada é propenso ao arquivamento, permanecendo imutável por anos. Como jogar fora um produto tão agradável e fácil de guardar?
Mas as tentações de conservar, brigar por sua guarda e carregá-las em todas as mudanças de residência (olha que elas pesam bastante), não param por aí. Se analisarmos o seu conteúdo editorial, esse pequeno texto pode transformar-se em uma divagação interminável pelo mundo da semiótica. Mas basicamente as revistas relatam, de uma forma ilustrativa e interessante, a história da humanidade. E não falo apenas das revistas noticiosas semanais, mas qualquer uma que traga reportagens culturais. Se pegarmos as publicações femininas, por exemplo, da década de 60 perceberemos com clareza o comportamento e as idéias vigentes nessa época, assim como se analisarmos as masculinas ou as de interesses variados como esporte, carros, viagens etc. Todas contam nossa história por diferentes ângulos.
Podemos ir além, pois o conteúdo das revistas ultrapassa a idéia de história. Muitas vezes, impressas nas páginas estão aquelas reportagens que mudaram a nossa vida, seja no campo profissional ou pessoal. Reportagens que nos ensinaram a cuidar do bebê, direcionaram nosso modo de vestir, apresentaram inovações tecnológicas, descreveram a viagem que mudou nosso jeito de ver o mundo. Existem ainda aquelas publicações que nos acompanham por anos, aconselhando, atualizando, abrindo nossa cabeça para novas idéias, mudando e marcando o desenvolvimento de nossas vidas.
Mas deixemos a subjetividade de lado, apesar da dificuldade de dissociar as emoções desse produto. As revistas guardadas em milhares de casas em todo o mundo refletem também uma evolução tecnológica que começou há muito tempo com as impressões tipográficas e foi evoluindo lentamente com a introdução de cores e imagens fotográficas até a introdução dos computadores na década de 80. A partir daí, uma revolução iniciou-se nas publicações impressas, rompendo as limitações materiais na criação e na impressão. Com os programas gráficos tudo ficou mais fácil de ser experimentado e visualizado em poucos segundos. As fotografias, as cores, as letras, os elementos gráficos, tudo podia ser ampliado, diminuído, retorcido, editado em apenas poucos toques de teclado.
Essa liberdade era o que faltava para a segmentação das revistas tomar impulso. Nesse momento em diante podia-se criar um design gráfico específico para um determinado grupo de leitores, que juntamente com o conteúdo editorial refletisse os desejos e anseios desse público alvo. Sim, voltamos a falar de emoções, pois sem elas nenhuma publicação ou coleção existiria.
Vivemos em uma civilização das mídias. Atualmente, necessitamos de um contato diário com elas; seja para desempenhar nosso trabalho ou para a vida pessoal.
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