O mercado foi pego de surpresa com entrevista concedida pelo procurador Celso Tres ao jornal Zero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), data de capa novembro 2008, edição número 2, onde afirma que "vai enfrentar o oligopólio da RBS". O procurador fez colocações fortes como "É a RBS que governa o estado" em sua entrevista as jornalistas Rafaela Mattevi e Cora Ribeiro.
"Quando a lei diz que alguém não pode ter mais de dois veículos, qual é o objetivo? Evitar a concentração. Se é da mesma família e tem a mesma programação é uma fraude ao objetivo da lei", disse Celso Tres ao jornal.
Making Of destaca a seguir, trechos da entrevista, que considera forte, que vai mexer com todo o mercado de comunicação do estado.
Ao ser questionado se iria processar a RBS pela compra do AN, Celso Tres respondeu "Sim. A ação está sendo instruída há dois anos, por meio de inquérito Civil Público (ICP), por que é bem complexa. Também participam vários procuradores no estado. A RBS tem uma posição totalmente dominante. No RS e SC, são 18 emissoras de televisão, dezenas de estações de rádio, uma dezena de jornais. Esse caso da RBS é um escândalo. ela governa o estado. Como o CADE aprovou a compra do AN? O CADE é réu na ação porque aprovou isso".
Ao ser questionado sobre o que especificamente requer na ação contra a RBS, o procurador foi enfático: "Primeiro que a compra do AN seja desfeita. Segundo que seja cumprida a lei que diz que ela só pode ter no máximo duas emissoras no estado e terceiro a implementação da programação local. OMP quer que a Justiça arbitre um percentual de 30% de programação local no âmbito estadual e 15% em cada região, no mínimo".
Celso Tres disse que "o ICP não é um processo judicial, não tem contraditória, ou seja, quem é investigado não tem direito de resposta. Mesmo assim, o MP abriu para a RBS se manifestar e inclusive eles vieram com o mesmo discurso do Ministério da Comunicação. Eles (RBS e o MC) se comunicaram, é uma piada. A mesma pessoa que redigiu a resposta do Ministério redigiu a da RBS. "Não, porque a lei diz que é a mesma pessoa física só que no caso não é". É chamar o legislador de imbecil”.
" A radiodifusão - emissora de rádio e TV - deve estar em nome de pessoa física, não de pessoa jurídica, e cada pessoa só pode ter duas por estado. Daí o que eles fazem é colocar em nome de pessoas da mesma família", afirma o procurador.
Um techo da entrevista vai chamar para dentro da discussão a classe política. Celso Tres, em resposta ao pergunta "O principal modo de democratizar não seria combater o monopólio e o oligopólio"? faz a seguinte observação: "O primeiro passo seria esse, mas como falei, os órgãos do executivo são muito subalternos, e também a RBS pode virar o governo. Qual a finalidade de um deputado federal que vai lá propor uma legislação mais rígida para isso? Se é um deputado de SC, a RBS vai fazer algumas reportagens contra o cara e ele está acabado. O cara não se reelege mais".
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