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| Só sei que nada sei |
Nunca, em qualquer tempo, esta frase de Sócrates foi tão atual. Se o filósofo grego achava isso em seu tempo, o que não diria ele hoje? Como ele lidaria com a enxurrada de informações que recebemos diariamente via internet, revistas, jornais escritos e falados, livros, torpedos, MSN, Twitter, blogs? Só sei que nada sei... Creio que é assim que a maioria de nós se sente hoje, quando somos capazes de mencionar um acontecimento, mas incapazes de lembrar sua fonte: recebi isto por e-mail, li no jornal, é uma manchete de revista que vi nas bancas, alguém me contou? Enfim, lembramos o fato, mas esquecemos o meio. E mesmo que saibamos como ficamos sabendo, ainda resta mais uma pergunta: o que fazer com o que eu sei? Ou com o que eu posso vir a saber, se quiser? Como digerir toda essa informação disponível me parece ser o grande dilema que enfrentamos hoje. E também o grande dilema das escolas. Se antes o professor era visto como o detentor do conhecimento, aquele por meio do qual o aluno aprendia, hoje o papel mais importante é ensinar o aluno a pensar, porque o conhecimento pode ser obtido de fontes bem mais rápidas e completas que o professor. Se a escola não desenvolver o pensamento crítico dos alunos, de nada vai adiantar ter acesso a todo o conhecimento que há. Não nos interessa ter cidadãos que não saibam opinar sobre os fatos do dia-a-dia, não saibam distinguir entre o que é ético ou não, o que é certo ou errado. Ou o que é pior, que se tornem insensíveis aos fatos. Por meio da democratização da informação, todos estariam, teoricamente, em nível de igualdade, quer seja no ambiente acadêmico e no profissional. O que vemos é que aqueles que conseguem se destacar são justamente os que aprenderam a pensar criticamente. Ou porque nasceram de pais instigadores ou porque estudaram em escolas que os levaram a desenvolver a habilidade de perguntar os porquês das coisas. E a não se conformarem com respostas do tipo: porque é assim ou assado. Ou talvez porque pensem: só sei que nada sei... Ou só não sei o que não “googlei”? |